Em quem acreditar? No Capitão ou no Ministro?

Caros amigos meu nome é Antonio Camilo do Brejo do Caruru, que significa terra da fartura*, e que foi rebatizado depois para Reino de Brejoland, nessa mania nacional de se colocar inglês em tudo: nome de loja, nome de menino, nome de lugar, tudo é em inglês. Brejoland significa terra do brejo, e o slogan do Reino de Brejoland é “aqui em se plantando tudo dá”! Na verdade Brejoland é um reino onde falta tudo para o povo, emprego, moradia, saúde, inclusive a verdade e sobra tudo para os poderosos. Quero dizer a vocês que cansei de mostrar a realidade de Brejoland para todo mundo, que tentei mudá-la, com risco da minha própria vida.

Não consegui! Reconheço e dou a mão à palmatória.

Por isso, a partir de agora tudo que eu publicar na imprensa de Brejoland relacionado à política, à religião, à cultura, à arte e aos acontecimentos da nossa sociedade, será única e exclusivamente no mundo da literatura ficcional e qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais será uma mera coincidência. Nascem hoje, novos personagens com os quais vamos conviver enquanto eu estiver escrevendo e vocês estiverem lendo, lembrando que mesmo sem vocês lerem, esses personagens continuarão vivos na minha escrita, até o dia que o Senhor me chamar.

Digo: “O Senhor me chamar” que quer dizer “o dia que eu morrer” porque sou cristão, acredito em Deus, na criação, em um ser supremo que tudo pode e tudo vê, por isso, apelo para Ele nos meus momentos de dificuldade como esse que estamos vivendo agora. Respeito a opinião e a visão dos ateus que não comungam com a minha fé, porém continuo defendendo que é muito melhor acreditar alguma coisa do que não acreditar em nada, mas isso já é filosofia e vai está nos meus rabiscos literários daqui para a frente.

Respeito também a opinião dos agnósticos ou agnostos que acham que é difícil explicar Deus porque acham que o sobrenatural foge à compreensão humana, se não fugisse não seria sobrenatural e não precisaria de fé para se crer, porque “A   é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem.” Hebreus 11.1

Portanto, desse momento em diante estarei sendo o que gosto de ser: escritor. Estarei fazendo o que gosto de fazer: escrever. Contarei “estórias” que pessoas reais se verão nos acontecimentos e pode até pensar que os textos foram escritos para elas. Mas, volto a afirmar é pura obra de ficção. Assim darei a minha contribuição para a arte literária, baseada em fatos reais, mas uma obra integralmente ficcional voltada para os poucos leitores que tenho. Brás Cubas, pela pena Machadiana, dedicou às suas memórias póstumas aos seus dez leitores, não sei quantos os tenho, mas agradeço a todos os que se dispuserem a ler os meus escritos.

Entro na seara dos escritores romancistas, cronistas, não com o intuito de tomar-lhes o lugar, mas apenas com a missão de misturar a realidade com a ficção e através da minha “pena” transformada em teclado e da folha de papel transformada em tela todos os frutos da minha imaginação junto com os meus achismos sobre o que acontece em nossa vida e em nosso mundo.

Aguardo sugestão dos meus poucos leitores para batizarmos esse País imaginário que estou criando, também precisamos saber como vamos chamar a cidade onde os fatos ocorrerão.

Inicio essa série com um ensaio sobre a dúvida – ah, esqueci de alertá-los meus bons e queridos leitores – os textos serão longos, com citações, explicações, entre linhas, rodapés, ou seja tudo que a literatura gosta, mas que nesse mundo de 256 caracteres, de “textículos”, não são testículos, pois os mesmos, pelo menos, por hora, não cabem aqui.

A Dúvida de Antonio Camilo: Em quem acreditar!

O Capitão mandou sair de casa e trabalhar o Ministro mandou ficar isolado para se proteger.

Pela manhã o intendente de Brejoland foi à imprensa, criticou os jornalistas, acusou os governadores e disse que havia uma histeria e um pânico e que o vírus que veio do Reino do Norte, como está escrito em Daniel 7, não é tão nefasto assim, não matará tanta gente, só um pouquinho de velhos que não fazem ginástica. Para ele Brejoland não pode parar, a economia tem que andar, o comércio tem que abrir. Não se pode aumentar o desemprego, não se tem como segurar a situação e se Brejoland parar vai morrer mais gente de fome do que do vírus, afinal tudo não passa de uma “gripezinha”.

A tarde o Ministro da Saúde foi a tv e numa coletiva disse que não era para ninguém, sair de casa, que quem saísse poderia até ser preso. Que todos estavam apenas no pé da montanha e que seria preciso subir a montanha que é o maior do que o Everest. Disse que a ìndia colocou um bilhão e 300 milhões de pessoas em quarentena e que iria faltar produtos para fazer remédios e que na China por conta da parada iria faltar colete, máscaras, etc….

Na dúvida Antonio Camelo depois de ouvir os dois preferiu acreditar no Ministro da Saúde até porque estava tanta gente morrer em todo canto que sabia que não era apenas um resfriadinho. E  ai Antonio Camilo ativista por natureza lançou a campanha:

FIQUE ME CASA!

*o nome Caruaru se originou da junção dos termos oriundos dos cariris: “caru” que significa alimento, fartura e “aru aru” denotando abundância.