22 de agosto de 2018 às 05:24h

Crônica de uma luz apagada que embora paga, mesmo assim apaga e não é trocada

Amigos, voltei a escrever crônicas, assim pelo menos registro minha indignação de forma literária…

A luz apagou, a conta se pagou, mas mesmo assim assim a luz apagou e começo com uma metáfora do Drumond: “A Luz apagou…a vida acabou..E agora José?”

Faz oito dias que a luz que fica no poste em frente à minha casa queimou.

Ainda bem que a metáfora acima ainda não se concretizou, ou seja ninguém ainda foi morto por conta da escuridão, mas muitos assaltos estão acontecendo diariamente e ninguém troca a lâmpada queimada.

Ninguém troca essa bendita lâmpada, nem a prefeitura, nem a companhia de energia elétrica, a rua continua sem luz, amercê de todo tipo de perigo, os marginais vibram, acho que já estão fazendo rodízio para não faltar pessoas para serem assaltadas. Hoje é tu, amanhã é ele e assim os ladrões se sucedem roubando os pertences dos trabalhadores, das senhoras que chegam de suas igrejas, dos alunos que vêm da faculdade e a luz continua apagada na rua 15 de novembro.
Quando ligamos para a Celpe ela diz que ligue para a prefeitura, como se órgãos pudessem resolver as coisas. Quem resolve são pessoas, têm nomes, mas isso não temos, os nomes de quem resolve e muitas vezes conversamos com máquinas, com robôs…
Já pegamos o número do poste, já ligamos para o número do suporte técnico que trata das reclamações e nada.

A atendente atende!

Mas, não resolve nada. Muito atenciosa anota tudo, fornece um número de protocolo relativo ai atendimento, estabelece um prazo para a visita da equipe de manutenção, mas nada acontece. A lâmpada continua apagada, a rua continua escura.
Soube hoje que a prefeitura tem um departamento de iluminação pública e que um desses servidores acompanha e monitora as ruas escuras. Acho que ele só anda durante o dia. Não anda a noite. É igual ao vigilante que pago toda semana, mas que ainda não tinha visto a escuridão da rua nos últimos dias, ou seja, não sei o que ele vigia, por onde anda e o que faz a noite. Estamos entregues à própria sorte…
O que sei é que pago a taxa de iluminação pública, justamente para ter iluminação na minha rua, na frente da minha casa e nos arredores.
O que sei é que as ruas escuras estão facilitando os assaltos, furtos, arrombamentos e talvez até crimes mais hediondos que não tomamos conhecimento. O dono de um supermercado perto do ponto mais escuro disse que está havendo muitos assaltantes nas redondezas e assim está fechando mais cedo, para não ser assaltado também e virar estatística. Outros comerciantes também estão fechando seus estabelecimentos por não se sentirem seguros.

E o que digo eu? Que fui assaltado às nove horas da manhã de um dia de sol na frente da minha casa. Que o ladrão não saiba que está tudo escuro. Não quero que se cumpra aquele ditado: O criminoso sempre volta ao local do crime. Será mesmo? Não importa! O que é importante é que a música continua e coincidentemente se transforma  em realidade: “…o povo sumiu, a noite esfriou, e agora José? A diferença é que José com a chave na mão queria abrir a porta, mas não tinha porta e no meu caso eu estou com a chave na mão, quero abrir a porta, mas não vejo a porta, porque como dizia minha avó – está um “breu”- Será que o breu é tão escuro quanto a minha rua e olhe que é uma rua principal, fico pensando em quem mora na periferia, não é amigo do Rei, mas em compensação joga no “bicho” e na “sena” tentando ganhar um dinheiro extra, ficar rico e se mudar. Se jogasse, iria jogar o número do poste, quem sabe ganharia na megasena e assim iria embora para Pársagada, onde tenho certeza que Drumond está vivendo e onde os postes não apagam, porque ele é amigo do Rei. Deve ser bom ser amigo do Rei no Brasil ou pelo menos do Gilmar “Mente”, aquele que gosta de Portugal que deve ser perto de Parságada e também de acender a luz da rua para bandidos ricos que estão presos.

Só resta reclamar novamente, ligar mais uma vez, falar com outra atendente do telemarketing que mais uma vez será gentil e me dará um novo número de protocolo, relativo ao numero do poste que tem a luz apagada, ou dialogar com um robô, isso mesmo, dá para acreditar que hoje em dia conversamos com robôs, a ficção se tornou realidade e agora temos dois números: o do poste que tem a luz apagada e do protocolo que pretensamente vai resolver o problema.

Só espero ainda ver a luz acesa um dia e que um bandido não apague a minha luz, nesse caso caso da metáfora a luz significa a vida….

Tomaz de Aquino
jornalista e escritor.

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